Especialistas em pólio fazem ponto da situação sobre o esforço de erradicação na Convenção Internacional do Rotary
Por Etelka Lehoczky e John M. Cunningham
Os atuais líderes da campanha de quatro décadas para a erradicação da pólio manifestaram confiança no sucesso da iniciativa durante a Convenção Internacional do Rotary, em Taipé, Taiwan, afirmando, a 15 de junho, que a promessa de um mundo livre da doença pode ser concretizada.
“Penso que poderemos até assistir ao último caso de poliovírus selvagem no Paquistão ainda este ano”, afirmou Michael K. McGovern, presidente da Comissão Internacional PolioPlus, após a sessão.
“Há anos em que enfrentamos desilusões. Existem fatores internacionais que afetam o nosso progresso”, acrescentou McGovern, membro do Rotary Club de South Portland-Cape Elizabeth, no Maine, Estados Unidos. “Este ano houve alguma instabilidade política. Obviamente, existem guerras em curso. Mas sinto que estamos no caminho certo. Temos hoje maior capacidade de resistência para ultrapassar os desafios que surgem e as taxas de recusa da vacinação são as mais baixas de sempre. Tudo parece estar a evoluir na direção certa.”
Este otimismo foi partilhado por Johrita Solari, presidente da Task Force de Advocacia para a Erradicação da Pólio nos Estados Unidos, que descreveu este esforço como “uma rara história de boas notícias”.
“Vivemos num mundo repleto de más notícias”, afirmou Solari, membro do Rotary Club de Anaheim, na Califórnia, Estados Unidos. “A erradicação da pólio é um exemplo inspirador do poder da ação coletiva, do compromisso duradouro e das parcerias eficazes, com resultados comprovados. Tirámos partido dos pontos fortes de cada parceiro — os voluntários do Rotary, os parceiros técnicos, a Organização Mundial da Saúde, a UNICEF e os governos de todo o mundo — para reduzir os casos de pólio em 99,9% e manter esse progresso. Isso é algo raro.”
O painel foi uma das várias sessões paralelas realizadas no segundo dia da Convenção Anual do Rotary, que reuniu mais de 37 mil participantes provenientes de todo o mundo. Tal como aconteceu em anos anteriores, a sessão dedicada à pólio registou uma forte adesão, com muitos participantes interessados em conhecer os mais recentes desenvolvimentos daquela que é a principal causa humanitária do Rotary.
Embora Michael McGovern e os restantes intervenientes tenham destacado sobretudo os progressos alcançados, deixaram também um alerta. Segundo referiram, as falsas narrativas continuam amplamente disseminadas nas redes sociais e até em alguns meios de comunicação social tradicionais, prejudicando o trabalho de sensibilização e mobilização.
McGovern afirmou que os meios de comunicação norte-americanos não têm refletido de forma adequada o nível de apoio político à erradicação da pólio.
“Durante cinco anos consecutivos, o Governo dos Estados Unidos atribuiu 265 milhões de dólares à erradicação da pólio. Se lermos as notícias, dificilmente percebemos isso”, afirmou.
Valarie Wafer, membro da Comissão Internacional PolioPlus e do Rotary Club de Burlington Lakeshore, em Ontário, Canadá, defendeu que os membros do Rotary e os seus parceiros devem combater a desinformação através de testemunhos pessoais com significado. Segundo explicou, criar novas oportunidades para que pessoas que viveram com a pólio possam partilhar as suas histórias tem um impacto particularmente forte na sensibilização do público e na valorização dos resultados alcançados na luta contra a doença.
“Mesmo em algumas das zonas mais difíceis do Afeganistão e do Paquistão, estão efetivamente a empregar sobreviventes da pólio para irem de porta em porta com os profissionais que estão na linha da frente da vacinação”, afirmou. “Quando alguém abre a porta, a reação inicial pode ser dizer não. Mas depois vê uma pessoa que teve realmente a doença, cuja vida foi afetada por ela, ali mesmo à sua frente. E consegue perceber o que pode acontecer aos seus filhos se não forem vacinados.”
Outra das sessões paralelas centrou-se em formas criativas de utilizar a tecnologia na educação. Oradores do Grupo de Ação Rotária para a Educação Básica e Literacia e do Corpo de Consultores Técnicos da The Rotary Foundation partilharam exemplos de tecnologias de aprendizagem que têm demonstrado resultados positivos em diferentes contextos.
Estas ferramentas não dependem necessariamente do acesso à internet, que em muitas regiões continua a ser inexistente ou pouco fiável. No Belize, Guatemala, Namíbia, Panamá e noutros países, clubes Rotary distribuíram servidores portáteis offline carregados com conteúdos educativos para escolas e outras instituições. Estes servidores são conhecidos por RACHEL, sigla de Remote Area Community Hotspot for Education and Learning (Ponto de Acesso Comunitário para Educação e Aprendizagem em Áreas Remotas).
Os participantes no painel discutiram também a importância das parcerias na implementação de projetos centrados na tecnologia, como um evento anual realizado nos Estados Unidos que ensina competências nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) a alunos do ensino básico. A iniciativa é organizada pelo Distrito 7430 (Pensilvânia), com o apoio da Universidade de Kutztown, na Pensilvânia, e do instituto sem fins lucrativos SETI Institute, mais conhecido pelo seu trabalho na procura de inteligência extraterrestre.
Carolyn Johnson, antiga presidente do Grupo de Ação Rotária para a Educação Básica e Literacia e membro do Rotary Club de Yarmouth, no Maine, Estados Unidos, afirmou que os rotários envolvidos em projetos de tecnologia educativa devem ir além da simples colocação de computadores nas salas de aula. Em vez de se limitarem a fornecer equipamento tecnológico avançado, devem assegurar que essa tecnologia contribui efetivamente para melhorar a qualidade e o impacto da aprendizagem, defendeu.
Esta necessidade foi também sublinhada pelo vice-presidente do grupo de ação, Anthony Bloome, membro do Rotary Club de Washington Global, nos Estados Unidos. Segundo afirmou, se a tecnologia “não funcionar de forma adequada, torna-se um fator de perturbação”. Por sua vez, Ritika Anand, diretora de uma escola em Nova Deli, na Índia, e membro do Rotary Club de Delhi City, destacou a importância de promover a cidadania digital em paralelo com as restantes competências. A responsável defendeu que pais e professores devem trabalhar para prevenir comportamentos prejudiciais, como o ciberbullying.
A convenção prossegue esta terça-feira, dia em que a laureada com o Prémio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, irá intervir na segunda sessão geral.
— Junho de 2026

Michael K. McGovern, presidente da Comissão Internacional PolioPlus, intervém na sessão paralela “Junte-se aos Especialistas: Um Mundo Livre da Pólio é Possível”. A sessão foi um dos destaques do segundo dia da Convenção Internacional do Rotary, em Taipé, Taiwan, a 15 de junho de 2026.
© Rotary International

Os participantes acompanham as intervenções na sessão paralela “Junte-se aos Especialistas: Um Mundo Livre da Pólio é Possível”, durante a Convenção Internacional do Rotary, em Taipé, Taiwan, a 15 de junho de 2026.
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Participantes com pins e emblemas coloridos trocam pulseiras da amizade durante a Convenção Internacional do Rotary, em Taipé, Taiwan, a 14 de junho de 2026.
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