Prémios de Fotografia 2026: O extraordinário no quotidiano

Prémios de Fotografia 2026: O extraordinário no quotidiano

As fotografias apresentadas nos prémios deste ano são simplesmente sublimes.

O poeta e gravador inglês William Blake via anjos no cimo das árvores, conversava com o seu colega poeta John Milton — que morreu 83 anos antes de Blake nascer — e recebia dicas valiosas sobre gravura do seu irmão Robert, também falecido.

Como a sua poesia e as suas gravuras demonstram, Blake era um visionário, alguém com a capacidade de reconhecer o maravilhoso mesmo quando rodeado pelo mais banal. Os fotógrafos destacados nesta edição possuem um talento semelhante, mas, em vez de contarem com a ajuda dos serafins, utilizam uma câmara para revelar as maravilhas da vida quotidiana que se escondem à vista de todos.

Em Viena, Luca Venturi baixou a objetiva e apontou-a para dois pares de pernas elegantemente posicionadas, um círculo de narcisos amarelos e uma criança absorta na contemplação daquilo que só as crianças parecem ver quando são deixadas a sós com os seus pensamentos.

Ao caminhar por uma rua movimentada de Taiwan, Yuan-Lung Hsieh passou por uma montra de uma loja; ao contrário dos restantes transeuntes, parou, apontou a sua máquina fotográfica e captou a imagem de um vestido de noiva cintilante, parcialmente escondido por cortinas de seda.

No Oregon, JoEllen Reif apontou a câmara à sua neta Willa, de olhos muito abertos numa porta iluminada, e eternizou uma imagem quase angelical envolvida por uma luz dourada.

William Blake celebrava essa rara capacidade de «ver um mundo num grão de areia e um céu numa flor silvestre». As 13 fotografias reunidas aqui demonstram que não são apenas os poetas visionários que conseguem captar a magia dos momentos do quotidiano que, de outra forma, poderiam passar despercebidos.


Vencedor

Luca Venturi, Rotary Club de Siena Est, Itália.

Num recanto tranquilo de Viena, enquanto as flores da primavera desabrocham num canteiro circular e duas mulheres conversam junto a uma balaustrada de pedra — com a sua personalidade e presença apenas sugeridas pela postura e pela forma como se vestem — uma criança, sentada um pouco mais afastada, permanece mergulhada no seu mundo. Como captei a fotografia: O que me chamou a atenção foi o contraste entre a presença serena dos adultos e a criança, sozinha, absorvida num pequeno gesto seu. Esperei alguns instantes pelo equilíbrio certo — quando a postura da criança, a posição dos pés e os restantes elementos da composição se alinharam de forma natural — e foi então que fiz a fotografia.


Vencedor, Pessoas em Ação

JENO JOHNSON, Rotary Club of Tiruchirapalli Chola, India

Numa ação de apoio médico gratuito, apoiada pelo Dr. K. Manoharan — membro do Rotary Club of Tiruchirapalli Midtown e Grande Benemérito da Fundação Rotária — uma mulher junta as mãos em sinal de gratidão pelos cuidados humanos e dedicados que recebeu. Para os habitantes das comunidades agrícolas abrangidas por esta iniciativa, esta era a única oportunidade de acesso a cuidados médicos especializados. Como captei a fotografia: Sou fotógrafo de casamentos e estou habituado a antecipar momentos e a estar no sítio certo, à hora certa, com a objetiva adequada. Durante a ação médica, estava atento aos momentos de maior emoção e, quando vi esta mulher visivelmente comovida, quase em lágrimas, reagi de imediato para captar o instante em que agradecia ao médico (filho do Dr. Manoharan). Também eu me emocionei e senti um arrepio ao testemunhar aquele momento.


O momento de pura alegria em que Isaac, filho do fotógrafo, entrou pela primeira vez no oceano e brincou com as ondas. Como captei a fotografia: A minha mulher, Jessica, e eu viajámos até Porto Rico com os nossos dois filhos, Eli e Isaac, após a perda do nosso terceiro filho, Saul, que faleceu à nascença. Em busca de algum conforto e de um processo de cura, decidimos trocar uma casa que nos parecia vazia pelo sol e pelo mar, em vez de enfrentar o longo e sombrio inverno do Minnesota. Acredito sinceramente que esta viagem foi verdadeiramente benéfica para toda a nossa família.

ERIC STRAND, Rotary Club of Fergus Falls Sunrise, Minnesota, Estados Unidos.


A Lua ergue-se sobre um imponente iceberg monolítico na Baía de Lazarev, na Antártida. O brilho rosado no céu é um fenómeno conhecido como o Cinturão de Vénus, causado pela dispersão da luz solar pelas partículas da atmosfera. A faixa azul visível por baixo desse brilho resulta da sombra projetada pela Terra sobre a atmosfera. Como captei a fotografia: Fotografei esta cena durante uma viagem a bordo do National Geographic Endurance. Apesar de existir um vasto campo de icebergs, procurei um que tivesse uma presença única e monumental. Queria que fosse o elemento principal da composição e esperei pelo momento em que a posição da Lua criasse uma relação visual harmoniosa com a massa de gelo, resultando numa imagem mais equilibrada e impactante.

MIKE LIEBMAN, Rotary Club of Denver Cherry Creek, Colorado, Estados Unidos.


O Rotary Club de Monrovia Suonu deslocou-se ao condado de Margibi, na Libéria, para entregar material escolar à Julia Grace Academy, uma instituição que acolhe e educa cerca de 800 crianças. Durante o intervalo, os alunos rodearam os rotários e começaram a posar de forma divertida para a câmara. Como captei a fotografia: A energia vivida na Julia Grace Academy era genuína e contagiante. Tive simplesmente o privilégio de captar crianças a serem apenas crianças. Enquanto procurava fotografar momentos espontâneos, elas juntaram-se à minha volta e mostraram as suas poses mais criativas e descontraídas. Talvez ainda não compreendam a importância de frequentar uma escola que está, verdadeiramente, a formar os futuros construtores da nação, mas a alegria, a confiança e a personalidade que demonstram estão bem patentes nesta fotografia.

GEORGE BROWNELL, Rotary Club de Monrovia Suonu, Libéria.


Ao nascer do sol, junto a um café de estrada no condado de Sonoma, na Califórnia, o orvalho da manhã cobre uma delicada teia de aranha, transformando-a numa autêntica joia da natureza.

MARK CAMPBELL, Rotary Club of Santa Rosa Sunrise, Califórnia, Estados Unidos.


Uma mulher atravessa o pátio da Mesquita Gazi Husrev-beg, construída no século XVI, situada no coração da histórica zona comercial otomana de Sarajevo. Embora a cidade bósnia seja hoje marcada por arranha-céus, avenidas modernas e uma diversidade de culturas, as estreitas ruas de Baščaršija — o antigo bazar de Sarajevo — continuam a ser um verdadeiro repositório vivo da sua história e das suas tradições. Como captei a fotografia: Passei algum tempo a observar a interação das pessoas junto à mesquita, procurando momentos que refletissem o quotidiano e a identidade de Sarajevo. Nesta imagem, concentrei-me numa jovem mulher de expressão reservada, em contraste com a do homem mais velho que surge em segundo plano. Neste instante aparentemente comum, sente-se uma ligação — e talvez até uma certa tensão — entre diferentes gerações.

JOHN BUTTERFIELD, Rotary Club of Dublin-Worthington, Ohio, Estados Unidos.


Ondas gigantescas, impulsionadas por uma tempestade de inverno, rebentam contra um quebra-mar na margem oriental do Lago Michigan, fazendo parecer diminuto o farol de Ludington, com 57 pés de altura (cerca de 17 metros) e mais de um século de existência. A força das tempestades nos Grandes Lagos não deve ser subestimada: os vendavais podem atingir intensidade equivalente à de um furacão e já provocaram milhares de naufrágios ao longo da história.

STEVE BEGNOCHE, Rotary Club of Ludington, Michigan, Estados Unidos.


Indiferente à explosão de cores que a rodeia, uma determinada pata atravessa o lago situado aos pés das majestosas Maroon Bells, montanhas que se elevam a cerca de 4.300 metros de altitude. Localizados na Floresta Nacional de White River, a aproximadamente 16 quilómetros a sudoeste de Aspen, no Colorado, estes dois picos distinguem-se pela sua característica tonalidade avermelhada e arroxeada, resultante da oxidação, ao longo de milhões de anos, de rochas ricas em ferro.

TERRI LATTA, Rotary Club of Lake Norman/Huntersville, Carolina do Norte, Estados Unidos.


Incorporando um espírito guardião, um dançarino mascarado participa num ritual Bhuta Kola em Puttur, na Índia. Vestido com maquilhagem elaborada, trajes tradicionais, adornos e um imponente adereço de cabeça, o dançarino entra em transe durante esta celebração anual, tornando-se, simbolicamente, no próprio espírito. Ao som de tambores, cânticos e fogo, esta performance intensa e profundamente espiritual reforça o laço sagrado da comunidade com os seus guardiões ancestrais.

SHRAVAN M., Rotaract Club of Shimoga North Elite, Índia.


Na movimentada cidade portuária de Kaohsiung, no sul de Taiwan, uma mulher com um guarda-chuva cor-de-rosa passa diante de uma montra onde um vestido de noiva parcialmente oculto sugere, de forma subtil, a promessa de uma possível felicidade.

YUAN-LUNG HSIEH, Rotary Club of Tainan Cherng-Ta, Taiwan.


Enquanto rema pelo Lago Superior, um praticante de caiaque acumula a função de operador de câmara, utilizando um drone aéreo para fotografar a sua viagem tranquila e os padrões de ondas concêntricas de tom azul-turquesa deixados na esteira da sua embarcação laranja viva.

KENJI OGURA, Rotary Club of Duluth Superior Eco, Minnesota, Estados Unidos.


No seu sétimo aniversário, Willa Talbot deixa-se levar pela imaginação numa soleira ensolarada, durante umas férias em família no Black Butte Ranch, no centro do Oregon. “Por vezes, uma fotografia pode trazer uma alegria imensa”, afirma a sua avó, JoEllen Reif. “Esta imagem deixou-me a mim e à minha família muito felizes.”

JOELLEN REIF, Cônjuge de William Reif, Rotary Club de Canby, Oregon, Estados Unidos.


Esta história foi originalmente publicada na edição de junho de 2026 da revista Rotary.

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