O Rotary Club de Logan, Ohio, utiliza as receitas do seu pequeno-almoço anual de panquecas para apoiar os jovens da comunidade
Por Rose Shilling
Uma menina em idade escolar sai do carro da família junto a um edifício do recinto de feiras do condado, nesta pequena cidade situada no sopé dos Apalaches, para saber quanto custa comer no pequeno-almoço de panquecas que decorre no interior. O preço é 8 dólares.
Pergunta às pessoas que estão à entrada se é possível pagar com cartão. Sem hesitar, a rotariana Sherry Kilbarger diz-lhe que tem bilhetes extra para oferecer e convida a menina e a família a entrarem para comerem panquecas à vontade. Há também salsichas e sumo de laranja. Uma mulher que sai do edifício para o sol da primavera ouve a conversa e entrega a Kilbarger mais dois bilhetes para partilhar.
Cuidar das crianças desta pequena cidade é uma das principais motivações dos associados do Rotary Club de Logan, Ohio. Rodeada por colinas, a região é muito procurada pelos visitantes pelas suas inúmeras trilhos pedestres que atravessam desfiladeiros com cascatas, formações rochosas impressionantes, como uma ponte natural de pedra, e pelas deslumbrantes cores das folhas no outono. O clube oferece bicicletas a crianças locais no Natal e organiza todas as primaveras um popular dia de pesca, quando as autoridades ambientais do Estado povoam o Rose Lake com trutas. “Como somos um clube pequeno, aquilo que fazemos está muito ligado à comunidade”, afirma Kilbarger. “Queremos que os nossos jovens tenham oportunidades.”

Crédito da fotografia: Maddie McGarvey.
O clube de Logan espera angariar cerca de 3.000 dólares com o pequeno-almoço de panquecas, o seu maior evento de angariação de fundos, que reúne vizinhos à volta de panquecas cobertas de xarope há mais de 50 anos. Os associados aproveitam ao máximo cada dólar, procurando fazer o máximo possível pela comunidade, onde a percentagem de pessoas que vivem na pobreza é mais do dobro da média nacional.
Um dos projetos do clube consiste em preparar sacos de viagem com um cobertor, produtos de higiene, meias e roupa interior para crianças que entram no sistema de acolhimento familiar ou jovens que vivem em instituições. O clube também atribui apoios financeiros a jovens que estão a entrar no mercado de trabalho, a aprender uma profissão ou a iniciar um curso de dois anos. Estes apoios destinam-se a roupa de trabalho, ferramentas, equipamento de proteção individual ou outras necessidades básicas e complementam as bolsas de estudo que o clube distribui. Para a escola secundária da cidade, o clube contribuiu com 20.000 dólares para uma instalação desportiva interior, recorrendo às reservas acumuladas ao longo de décadas, quando o pequeno-almoço de panquecas e uma feira de artesanato geravam mais receitas.
Tendo em conta a forma como organizam os seus projetos, é evidente que estes rotários são especialistas em trabalhar com os líderes locais e em conseguir patrocinadores e donativos que fazem crescer o impacto dos 3.000 dólares obtidos com a venda de panquecas. Jim Robinson, membro do Conselho Municipal que organiza o pequeno-almoço há uma década, tornou-se especialista em vender bilhetes a quem pode comprá-los. Incentiva quem tenha outro compromisso na data do evento, ou quem queira evitar os hidratos de carbono, a oferecer os bilhetes a outras pessoas. Ou brinca dizendo que podem comer os próprios bilhetes, desde que doem 16 dólares, o preço de dois. Muitas pessoas arredondam o valor e entregam 20 dólares.
Estes rotários também recorrem aos seus contactos para conseguir patrocinadores para o evento anual de pesca, Get Hooked on Rotary. Entre os patrocinadores estão o Walmart, uma empresa de aluguer de canoas e um fabricante local de botas. O apoio dos patrocinadores complementa os 500 dólares oferecidos pelo clube, que são igualados por outros 500 dólares do Distrito 6690 do Rotary. Desta forma, o grupo consegue oferecer camisolas, mais de 100 canas de pesca, quatro bicicletas, passeios de canoa e brinquedos.
Quando os associados perceberam, desde os primeiros anos, que muitas das crianças, cerca de 150 este ano, chegavam ao lago sem tomar o pequeno-almoço, começaram a servir cachorros-quentes grelhados e batatas fritas, conta o associado Damon Kuhn. Foi ele quem teve a ideia do evento, que já vai na 18.ª edição, quando entrou para o Rotary e quis fazer algo pelas crianças da cidade. Numa ocasião, quando uma menina pescou um achigã de 7 libras, mandou embalsamá-lo para ela.
A arte de fazer boas panquecas
As grelhas especiais utilizadas pelo clube foram construídas em 1988 pelo falecido rotário Ed Runge, engenheiro e especialista em maquinaria. Os rotários continuam a utilizar os dois equipamentos em forma de tambor concebidos por Runge, cada um com um disco de grelha rotativo. Três ou quatro rotários trabalham em cada equipamento. Um utiliza um grande doseador metálico para colocar porções de massa na grelha rotativa, enquanto os outros viram as panquecas até que, depois de duas voltas, estejam cozinhadas e douradas. “A panqueca dá a volta, é virada, dá outra volta e normalmente sai muito bem”, explica Robinson. “Temos tudo bastante bem cronometrado.”

Kuhn é presidente da Valor Retreat, um espaço de lazer em desenvolvimento perto de Logan que irá aproveitar a tranquilidade de Hocking Hills para proporcionar um retiro gratuito a veteranos militares que estejam a recuperar das experiências vividas durante o serviço ou que sofram de perturbação de stress pós-traumático. O clube de Logan tem colaborado com o retiro em iniciativas de angariação de fundos, enquanto são construídas cabanas acessíveis e avançam os planos para disponibilizar cavalos para terapia assistida por equinos.
Robinson afirma que o clube também está a trabalhar com a câmara de comércio para tentar promover o Rotary junto dos jovens empresários. Conversa com pessoas interessadas em conhecer melhor o Rotary e algumas das suas áreas de enfoque, desde o acesso a água potável ao apoio à educação, bem como o papel do Rotary na luta para erradicar a pólio. Kilbarger acrescenta que o grupo está a discutir a possibilidade de criar um clube satélite ou um grupo que privilegie mais os encontros sociais do que as tradicionais reuniões semanais durante o almoço.
Brendan Johnson, um associado na casa dos 20 anos, diz estar preparado para tentar angariar mais associados e considera também retomar as ações de limpeza de rios e estradas que o grupo costumava organizar. Mas também ele está no clube “sobretudo para ajudar as crianças, conseguir-lhes presentes de Natal através da nossa campanha das bicicletas”, afirma. Atualmente responsável por servir as salsichas, Johnson espera um dia assumir a organização do pequeno-almoço.
Como a angariação de fundos não é o único objetivo do pequeno-almoço, Robinson afirma que o clube está empenhado em manter a refeição acessível. Gosta de ver tantos habitantes a partilhar uma refeição frente a frente, a conversar e a pôr a conversa em dia com os vizinhos que encontram. “A sociedade está cada vez menos virada para a interação”, afirma. “As pessoas já nem sequer saem para comer.”
Mas aqui, enquanto as mesas se enchem e os responsáveis pelas panquecas trabalham cada vez mais depressa, Kuhn, que há anos prepara baldes de massa, partilha o seu segredo para fazer panquecas saborosas: acrescentar baunilha. Resulta. As pessoas fazem fila para receber uma segunda dose de panquecas, cujo potencial pode ajudar as crianças de Logan ou simplesmente proporcionar-lhes algumas boas memórias.
Este artigo foi originalmente publicado na edição de agosto de 2026 da revista Rotary.
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