Cinco países africanos encerram surtos de poliomielite

Cinco países africanos encerram surtos de poliomielite

Na sequência de avaliações técnicas rigorosas, cinco países africanos conseguiram interromper com sucesso a propagação da poliomielite, assinalando um marco importante nos esforços para proteger as crianças contra este vírus e avançar rumo à erradicação da doença.

Equipas independentes de Avaliação da Resposta a Surtos (OBRA) analisaram, entre janeiro e junho de 2026, dados de vigilância, laboratoriais e epidemiológicos e concluíram que existem evidências suficientes de que a transmissão foi interrompida no Burundi, Gana, Guiné-Bissau, República do Congo e Uganda. Com base nestas conclusões, o Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para África confirmou o fim dos surtos de poliovírus de tipo 2 nestes cinco países.

“Pôr fim a estes surtos demonstra o que é possível alcançar através de uma forte liderança nacional, de profissionais de saúde dedicados e de uma estreita colaboração entre os governos, as comunidades e os parceiros”, afirmou o Dr. Mohamed Janabi, Diretor Regional da OMS para África. “Embora este seja um marco importante, não representa o fim do percurso. A manutenção de uma vigilância epidemiológica robusta e de uma elevada cobertura vacinal, aliada a uma atenção constante, continua a ser essencial para proteger as crianças e prevenir futuros surtos.”

O fim dos surtos reflete anos de liderança governamental sustentada nos cinco países, bem como a dedicação dos profissionais de saúde, das comunidades e dos parceiros. As avaliações da qualidade da resposta aos surtos, da imunidade da população, do desempenho da vigilância e das campanhas de vacinação confirmaram a interrupção da transmissão.

No entanto, estas conquistas não devem conduzir à complacência. O risco de reintrodução do poliovírus permanece, como demonstrou a recente deteção em Madagáscar após o fim de um surto anterior. Este caso reforça a necessidade de manter uma vigilância de elevada qualidade e uma forte imunidade da população.

Apesar dos diferentes contextos, os cinco países demonstraram que a deteção rápida, uma forte liderança governamental, uma vigilância contínua, o envolvimento das comunidades e campanhas de vacinação de qualidade são fundamentais para interromper a transmissão do poliovírus.

Na República do Congo, as autoridades reforçaram a vigilância e realizaram várias campanhas de vacinação de elevada qualidade para interromper rapidamente a transmissão após a deteção do vírus. A última deteção foi registada em dezembro de 2023, tendo os esforços posteriores incidido na manutenção da capacidade de vigilância e na redução das lacunas de imunidade nas zonas de maior risco.

No Burundi, onde foi declarado um surto de poliovírus circulante de tipo 2 em março de 2023, as autoridades de saúde intensificaram rapidamente os esforços de vacinação de rotina e de vigilância, com o apoio da Iniciativa Mundial de Erradicação da Poliomielite (GPEI). Campanhas de vacinação específicas, o reforço das investigações epidemiológicas e a expansão da vigilância ambiental contribuíram para interromper a transmissão e proteger as crianças contra a poliomielite.

No Uganda, as autoridades de saúde reforçaram as atividades de vigilância e resposta aos surtos após a deteção do poliovírus, em maio de 2024, mantendo uma forte coordenação entre os níveis nacional e subnacional.

No Gana, os investimentos na capacidade laboratorial complementaram uma vigilância de elevada qualidade e atividades de resposta rápida aos surtos, reforçando a capacidade do país para detetar e responder ao poliovírus. No início deste ano, ambos os países atualizaram a sua capacidade laboratorial, reforçando ainda mais a capacidade de deteção e resposta rápida ao poliovírus e a outras doenças evitáveis pela vacinação.

Na Guiné-Bissau, as autoridades de saúde e os parceiros concentraram-se em chegar às populações com menor acesso aos serviços através de campanhas de vacinação específicas e de uma vigilância reforçada. Estes esforços contribuíram para aumentar a imunidade da população e manter os progressos rumo à interrupção da transmissão. O esforço sustentado produziu resultados significativos, não tendo o país registado qualquer deteção de poliovírus desde julho de 2021.

“Cada surto a que se põe fim significa mais crianças protegidas de uma doença que pode causar paralisia permanente”, afirmou o Dr. Mike McGovern, Presidente do Conselho de Supervisão da Poliomielite da GPEI e da Comissão Internacional PolioPlus do Rotary International. “O Rotary orgulha-se de estar ao lado dos governos e dos profissionais de saúde em toda a África enquanto continuamos o esforço para acabar com a poliomielite de uma vez por todas.”

Como parte de esforços regionais mais amplos, os países reforçaram os sistemas de vigilância da paralisia flácida aguda e da vigilância ambiental, melhoraram a capacidade laboratorial, intensificaram o envolvimento com as comunidades para promover a confiança nas vacinas e realizaram campanhas de vacinação específicas destinadas a chegar a todas as crianças, incluindo as que vivem em zonas de difícil acesso e áreas fronteiriças.

Em 2025, a Região acelerou também os investimentos na modernização da sua rede de laboratórios de poliomielite, melhorando a capacidade de diagnóstico e reduzindo o tempo de resposta na deteção do poliovírus. Esta evolução permite uma resposta mais rápida aos surtos e uma ação de saúde pública mais informada.

Ao mesmo tempo, a utilização alargada de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e de tecnologias geoespaciais pelo Escritório Regional da OMS para África ajudou os países a identificar povoações que não estavam a ser abrangidas, mapear os movimentos populacionais, melhorar o microplaneamento e garantir que as equipas de vacinação chegam a todas as crianças.

Numa declaração conjunta, a Dra. Etleva Kadilli, Diretora Regional da UNICEF para a África Oriental e Austral, e o Dr. Gilles Fagninou, Diretor Regional da UNICEF para a África Ocidental e Central, afirmaram: “Estes marcos pertencem, em primeiro lugar, aos governos, às comunidades e aos profissionais de saúde da linha da frente que trabalharam incansavelmente para proteger as crianças da poliomielite. A sua dedicação mostra que é possível progredir, mesmo nos contextos mais desafiantes.”

“Embora o fim dos surtos constitua uma conquista significativa, não significa que a missão esteja cumprida. Temos de manter o nosso foco no reforço da vacinação de rotina e em chegar a todas as crianças com intervenções que salvam vidas, de modo a que estes progressos sejam sustentados.”

“Este é um desenvolvimento positivo, não só para a luta contra a poliomielite, mas também para os esforços envidados a nível mundial para salvar vidas através do reforço dos sistemas de saúde e de vacinação”, afirmou o Dr. Thabani Maphosa, responsável pela Distribuição a Nível Nacional da GAVI. “Os investimentos que os países fizeram para chegar às crianças não vacinadas, o envolvimento da comunidade, o reforço da vigilância, o mapeamento e a resposta aos surtos terão um impacto muito além destes surtos de poliomielite.”

Os peritos em saúde, as equipas de OBRA e os coordenadores da GPEI no terreno sublinharam a importância de uma abordagem abrangente, que combine uma vigilância reforçada, um envolvimento comunitário de qualidade, campanhas de vacinação eficazes e uma resposta rápida aos surtos de poliomielite.

Neste contexto, os países reconheceram as contribuições fundamentais do Canadá, do Banco Europeu de Investimento, da Fundação Gates, da Alemanha e dos Estados Unidos da América para os cinco países, bem como de todos os doadores da GPEI pelo seu apoio sustentado e generoso aos esforços de erradicação da poliomielite na Região.

O fim destes surtos sublinha a eficácia dos esforços coordenados de resposta e reforça o compromisso da Região em alcançar um futuro livre de todas as formas de poliovírus.

Nota para os editores

A poliomielite é uma doença altamente contagiosa que pode causar paralisia irreversível. Não existe cura, mas pode ser prevenida através de uma vacinação segura e eficaz.

O fim de um surto é uma determinação técnica específica de cada país, baseada em evidências que demonstram que a transmissão associada a um determinado surto foi interrompida.

O processo de encerramento de um surto inclui uma avaliação independente realizada por uma equipa de Avaliação da Resposta a Surtos (OBRA), seguida de uma análise técnica e de uma decisão do Escritório Regional da OMS para África.

O fim de um surto não elimina o risco de futuras deteções ou reintroduções do vírus. A vigilância, a vacinação e a preparação contínuas continuam a ser essenciais para preservar os progressos alcançados e prevenir novos surtos.

A Iniciativa Mundial de Erradicação da Poliomielite é uma parceria público-privada liderada pelos governos nacionais e constituída por seis parceiros: a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Rotary International, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Fundação Gates e a GAVI, a Aliança para as Vacinas. O objetivo da iniciativa é erradicar a poliomielite em todo o mundo.

Artigo da Global Polio Eradication Initiative

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