Por Dr. Harsimran Singh Chowdhary, membro do Rotary Club Chandigarh Royale, Distrito 3080, Índia, fundador da Rotary Fellowship of Hypnosis and Healing e membro do Quadro de Consultores Técnicos da The Rotary Foundation, na área da Saúde Global

Nota do editor: Este artigo dá continuidade à reflexão anterior do Dr. Chowdhary, Quem ajuda quem serve?, sobre a importância de apoiar o bem-estar dos membros do Rotary que dedicam a sua vida a servir os outros.
Todos os médicos têm alguns pacientes que, sem se aperceberem, acabam por se tornar seus professores.
Um dos meus entrou no consultório numa tarde perfeitamente normal.
Uma jovem mãe chegou com o filho de dois anos ao colo. Parecia muito mais cansada do que a própria criança. Depois de o observar, fiquei aliviado por perceber que a doença era tratável. Enquanto começava a passar a receita, reparei que ela continuava preocupada. Em vez de chamar o paciente seguinte, pedi-lhe que se sentasse. Durante alguns minutos, conversámos, não apenas sobre a febre do filho, mas também sobre o medo que ela carregava havia duas noites sem dormir. Estava convencida de que algo grave tinha passado despercebido.
Quando se levantou para sair, sorriu e disse baixinho: “Doutor, já me sinto muito melhor.”
Por um momento, perguntei-me se estava a falar do filho ou dela própria. Ainda hoje me lembro daquela tarde. Recordou-me que os medicamentos são apenas uma parte do processo de cura. Por vezes, as pessoas precisam de tranquilidade e confiança tanto quanto precisam de tratamento.
Essa experiência mudou silenciosamente a forma como exerço a medicina.
Com o tempo, também mudou a forma como vejo o serviço.
Enquanto membros do Rotary, organizamos campanhas de saúde, apoiamos a educação, promovemos o acesso a água potável, plantamos árvores, respondemos a catástrofes e estamos ao lado das comunidades sempre que precisam de nós. Estes projetos transformam vidas e continuarão a fazê-lo.
Mas, ao longo dos anos, uma pergunta permaneceu comigo:
Estamos a prestar atenção suficiente às dificuldades que nem sempre são visíveis?
O idoso que chega a uma campanha de saúde pode estar, na realidade, à procura de alguém com quem conversar.
Um pai que leva o filho ao médico pode carregar consigo mais medo do que aquele que a criança carrega com a doença.
Um adolescente que sorri durante um programa pode estar, em silêncio, a enfrentar ansiedade.
São coisas que nunca aparecem nas fotografias. Não entram nos relatórios dos projetos. Mas estão lá.
E talvez mereçam um pouco mais da nossa atenção.
Não estou a sugerir que todos os rotários devam tornar-se conselheiros.
Longe disso.
Mas todos os rotários podem ouvir.
Todos os rotários podem incentivar.
Todos os rotários podem fazer com que outra pessoa sinta que não está sozinha.
Por vezes, o serviço mais significativo que prestamos não é um medicamento, uma refeição ou um donativo. Por vezes, é simplesmente a nossa presença.
Olhando para trás, a medicina e o Rotary ensinaram-me exatamente a mesma coisa. As pessoas podem esquecer os detalhes de uma consulta. Podem esquecer a agenda de uma reunião. Podem até esquecer o próprio projeto. Mas raramente esquecem a pessoa que as ouviu, que as incentivou e que as fez sentir que eram importantes.
Se os nossos projetos puderem deixar nas pessoas esse sentimento, não apenas de terem sido ajudadas, mas de terem sido verdadeiramente cuidadas, acredito que estaremos a criar algo muito maior do que projetos bem-sucedidos.
Estaremos a construir comunidades onde a bondade se torna contagiosa, onde a compaixão é praticada todos os dias e onde a esperança encontra, silenciosamente, o seu caminho até à vida das pessoas.
Talvez essa seja a peça que falta no serviço.
Não necessariamente fazer mais.
Mas ver mais.
Ouvir mais.
E cuidar mais profundamente.
Houve algum momento na sua caminhada no Rotary, uma simples conversa, um gesto inesperado de bondade ou uma pequena atenção, que tenha permanecido consigo ao longo dos anos?
Por vezes, são esses momentos silenciosos que nos ensinam mais do que os nossos maiores projetos.
Dê o próximo passo: Se esta história lhe diz alguma coisa, considere contactar o Rotary Action Group on Mental Health Initiatives ou a Rotary Fellowship of Hypnosis and Healing. Estas comunidades reúnem membros e amigos do Rotary que querem trocar ideias, apoiar-se mutuamente e explorar abordagens práticas para o bem-estar emocional, tanto no serviço como no dia a dia.
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