Mais longe, mais rápido, mais forte até zero: Como a integração dos serviços de saúde está a aproximar o mundo da Erradicação da Pólio

Mais longe, mais rápido, mais forte até zero: Como a integração dos serviços de saúde está a aproximar o mundo da Erradicação da Pólio

As vacinas, por si só, não erradicam a pólio. A confiança, sim. O acesso, também. E estar presente com mais do que uma razão para bater à porta faz toda a diferença. É assim que chegamos a cada última criança com a vacinação necessária, e é assim que a pólio chega ao fim.

À medida que o mundo entra na fase final da erradicação da pólio, os países estão a intensificar os seus esforços para chegar a cada última criança através de uma abordagem colaborativa e integrada. O objetivo é fazer com que a vacinação contra a pólio não seja apenas uma intervenção isolada, mas parte de uma oferta mais ampla de serviços de saúde, incluindo acesso a água potável, nutrição, cuidados maternos, proteção contra outras doenças evitáveis pela vacinação e um maior envolvimento com as comunidades. É a isto que se chama integração. Nos países ainda afetados pela pólio, esta abordagem tem permitido alcançar crianças que anteriormente ficavam excluídas das campanhas de vacinação, ao mesmo tempo que contribui para melhorar a saúde e o bem-estar geral das crianças e das suas famílias. Saiba mais sobre os esforços de integração promovidos pela Iniciativa Global para a Erradicação da Pólio (GPEI).

Combinar esforços em larga escala para proteger as crianças de múltiplas doenças na Nigéria.

Quando a Nigéria integra serviços, fá-lo em grande escala. Em outubro de 2025, o país alcançou mais de 106 milhões de crianças através de uma campanha integrada que incluiu a vacinação contra o sarampo, a rubéola e a pólio, bem como outras intervenções essenciais de saúde. Foi a maior iniciativa deste género alguma vez realizada. A qualidade acompanhou a dimensão da operação, com a taxa de recusa da vacinação a manter-se abaixo de 1% em todo o país. Houve menos duplicação de esforços, uma supervisão mais eficaz e mais crianças foram alcançadas num único contacto com cada família. Numa operação desta escala, a integração não é apenas eficiente, é a única abordagem que funciona.

Ao combinar várias vacinas com outros serviços de saúde numa única campanha integrada, foi possível responder às causas que levam muitas crianças a ficar excluídas dos programas de vacinação, e não apenas às circunstâncias momentâneas. À medida que a erradicação da pólio se aproxima, esta já não é uma estratégia inovadora, é a única forma de garantir que a erradicação seja definitiva. Saiba mais sobre a campanha integrada de vacinação realizada na Nigéria.

Após o terramoto, a recuperação e a proteção chegaram juntas ao Afeganistão

Depois dos terramotos que atingiram o leste do Afeganistão em 2025, as famílias das províncias de Nangarhar, Kunar e Laghman perderam muito mais do que as suas casas. Os sistemas de abastecimento de água ficaram comprometidos, milhares de pessoas foram deslocadas e, com a interrupção dos serviços essenciais, aumentou o risco de propagação de doenças.

O Programa de Erradicação da Pólio trabalhou para restabelecer um dos serviços mais fundamentais à vida: o acesso à água. Mais de 20 mil pessoas beneficiaram de apoio nas áreas de água, saneamento e higiene (WASH), ajudando as famílias a passar da fase de emergência para a recuperação, ao mesmo tempo que se reduzia o risco de doenças transmitidas pela água.

Os mobilizadores sociais desenvolveram ações de educação para a saúde, promovendo boas práticas de higiene e saneamento e contribuindo para prevenir surtos de doenças, incluindo a pólio, durante o processo de recuperação das comunidades.

Quando a recuperação e a proteção avançam lado a lado, as comunidades sentem verdadeiramente a diferença. Leia a história completa sobre esta intervenção no Afeganistão.

Paquistão: Quando os serviços avançam em conjunto, nenhuma família fica para trás

Em algumas regiões do Paquistão, a distância e a insegurança têm sido, durante muito tempo, fatores determinantes para decidir quais as crianças que recebem vacinas e quais as que ficam excluídas. A integração dos serviços está a mudar essa realidade.

Ao combinar a vacinação com apoio nutricional, cuidados de saúde materno-infantil e serviços básicos de saneamento, as equipas de proximidade conseguiram expandir a sua atuação de 132 para 196 conselhos locais (union councils) nas regiões de maior risco do sul de Khyber Pakhtunkhwa.

Durante as campanhas de vacinação, mais de 68 mil crianças foram rastreadas para despiste de desnutrição enquanto recebiam as gotas da vacina contra a pólio. Menos visitas repetidas, maior confiança das comunidades e uma resposta mais eficaz às necessidades das famílias permitiram começar a colmatar lacunas históricas no acesso aos serviços de saúde de rotina.

Através desta abordagem integrada e colaborativa, mais crianças estão a ser alcançadas e mais famílias estão a receber os cuidados de que necessitam. Saiba mais sobre a prestação integrada de serviços de saúde no Paquistão.

Na Somália, a confiança foi a primeira “vacina” necessária

A Somália apresenta um dos mais elevados números de crianças classificadas como “zero-dose” — crianças que nunca receberam qualquer vacina ao longo da vida. Muitas delas não ficaram por vacinar devido à falta de serviços de saúde, mas porque as famílias não estavam preparadas para abrir as suas portas.

Ao combinar a vacinação contra a pólio, a imunização de rotina, serviços básicos de saúde e um trabalho estruturado de envolvimento comunitário, as equipas da Rede de Mobilização Social (SOMNET) percorreram mais de 645 mil agregados familiares, dialogando com líderes locais, cuidadores e membros influentes da comunidade. Foram ainda realizadas campanhas de sensibilização através de anúncios públicos e das redes sociais, com o objetivo de reforçar a confiança das populações nas vacinas e nos serviços de saúde.

Como resultado deste trabalho de proximidade, foram identificadas e encaminhadas para vacinação mais de 15.500 crianças “zero-dose”.

A experiência demonstra que, antes de administrar vacinas, é muitas vezes necessário construir confiança. E é essa confiança que permite chegar às crianças mais vulneráveis e garantir que nenhuma fique para trás. Saiba mais sobre o trabalho dos profissionais comunitários de saúde na Somália.

Texto e imagens da Polio Global Eradication Initiative / Imagem destaque: UNICEF Afghanistan

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