Por Rajdeep Dutta, Rotary Club de Aarohee, Calcutá, Índia

Se a vossa reunião média de Rotary se assemelha a um encontro educado de pessoas que dizem muitas vezes “ouvi, ouvi”, a Geração Z provavelmente está a deslizar para a esquerda mais depressa do que conseguem dizer “Paul Harris Fellow”. Se queremos atraí-los para os nossos clubes, precisamos de estar abertos a mudar algumas das nossas práticas e tradições.
Mas aqui está um facto interessante: os jovens não estão desinteressados no serviço. A Geração Z pode, na verdade, ser uma das gerações mais orientadas para o propósito de sempre. De acordo com um estudo da Deloitte de 2023, cerca de 77% da Geração Z prefere trabalhar com organizações que estejam alinhadas com os seus valores.
Cresci a ver os meus pais contribuírem para o Rotary e para o Inner Wheel. Os valores e a ética do movimento fizeram parte da minha educação. O meu próprio percurso no Rotary começou como presidente fundador do Rotaract Club de Salt Lake Central, por isso, de muitas formas, o Rotary sempre me pareceu casa. No entanto, nos últimos anos, como membro do Rotary, tenho visto clubes na minha região a ter dificuldades em envolver eficazmente a Geração Z e em a preparar como a próxima geração de líderes do Rotary. É ao mesmo tempo uma oportunidade e uma necessidade.
Como alguém que passou três décadas a lidar com pessoas, perspetivas e desempenhos em organizações e gerações, tenho observado a entrada da Geração Z no mercado de trabalho. Tenho também uma filha de 22 anos que mantém as minhas perspetivas atualizadas. Não sou especialista, mas sinto que estas observações podem ser úteis para outros clubes.
1. Um propósito visível e partilhável
A Geração Z não quer apenas fazer o bem — quer ver o impacto, medi-lo e, sim, ocasionalmente publicá-lo. Se os projetos do Rotary ficarem enterrados em atas de reuniões, o interesse perde-se rapidamente.
O que fazer:
- Mostrar o impacto em tempo real através de narrativas nas redes sociais
- Usar painéis de controlo para mostrar resultados mensuráveis (árvores plantadas, vidas impactadas, fundos utilizados)
- Incentivar os membros a documentar o seu percurso
Pensem assim: se uma árvore é plantada e ninguém publica no Instagram, ela aconteceu sequer?
2. Flexibilidade é a nova formalidade
O modelo tradicional do Rotary — reuniões fixas, formatos rígidos, agendas longas — funciona lindamente… para outra era. A Geração Z vive num mundo de “tudo a pedido”.
O que fazer:
- Oferecer oportunidades híbridas e microvoluntariado
- Criar modelos de adesão baseados em projetos (entrar por causa de um projeto, não por calendário)
- Permitir envolvimento flexível em vez de regras rígidas de presença
Como Elon Musk demonstra frequentemente (para o bem ou para o mal), a agilidade supera a tradição quando o mundo se move a grande velocidade.
3. Liderança já
A Geração Z não acredita em “esperar décadas para liderar”. Quer responsabilidade cedo. E isso não é arrogância; é ambição.
O que fazer:
- Criar funções de liderança rápidas para jovens membros
- Permitir que liderem projetos, não apenas que participem
- Construir ecossistemas de mentoria (incluindo mentoria inversa — sim, as gerações mais velhas também podem aprender com a Geração Z!)
Afinal, se um jovem de 25 anos pode liderar uma startup avaliada em milhões, certamente pode presidir uma iniciativa comunitária!
4. Diversidade, Equidade e Inclusão — não palavras da moda, mas princípios base
A Geração Z não se impressiona com simbolismos vazios. Consegue identificá-los à distância — e vai denunciá-los.
O que fazer:
- Garantir que a liderança reflete diversidade de género, geografia e contexto
- Construir culturas inclusivas, não apenas cartazes inclusivos
- Envolver ativamente comunidades sub-representadas
Como diz o ditado: “Diversidade é ser convidado para a festa; inclusão é ser chamado para dançar.” A Geração Z espera ambos — e talvez até ser DJ do evento.
5. A tecnologia não é opcional — é oxigénio
Se a experiência digital do Rotary parecer ter sido desenhada na era do modem, a Geração Z nem sequer irá entrar.
O que fazer:
- Processos de adesão e envolvimento digitais e simples
- Comunicação “mobile-first” (porque o email é… quase pré-histórico para eles)
- Usar IA e análise de dados para personalizar a experiência dos membros
Esta é uma geração que cresceu com algoritmos que os conhecem melhor do que os próprios pais. As expectativas são elevadas.
6. Comunidade com “C” maiúsculo
A boa notícia: o Rotary já tem algo que a Geração Z deseja profundamente — um sentimento de pertença. Mas isso precisa de ser reinventado.
O que fazer:
- Promover ligações autênticas, não networking transacional
- Incentivar interações informais — cafés, encontros sociais, grupos de interesse
- Criar comunidades em torno de paixões (ação climática, saúde mental, empreendedorismo)
A Geração Z não quer “networking”. Quer ligação. E isso muda tudo.
7. Narrativa que não parece um relatório
Vamos ser honestos — alguma da nossa comunicação pode ser demasiado rígida e pouco inspiradora. A Geração Z? Vive de histórias, autenticidade e proximidade.
O que fazer:
- Substituir jargão por histórias humanas
- Destacar percursos individuais dentro do Rotary
- Usar humor, vulnerabilidade e vozes reais
Porque nada diz “juntem-se a nós” como uma história que parece verdadeiramente viva.
A conclusão final (com trocadilho intencional)
Se queremos atrair a Geração Z, não precisamos de abandonar o nosso legado, apenas de o traduzir. Os valores do Rotary — Serviço, Liderança, Comunidade — são intemporais. Mas a forma de os apresentar precisa de uma atualização ao século XXI.
A próxima geração de líderes não está à espera de ser convidada. Está à espera de ser inspirada. E se o Rotary fizer isto bem, o futuro não será apenas rotativo — irá girar em torno do impacto.
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