Combater o desperdício têxtil e eletrónico no Gana

Combater o desperdício têxtil e eletrónico no Gana

por Klenam Fiadzoe, Rotary Club de Accra-Sul, Gana.

Nos últimos anos, a crise climática deixou de ser uma ameaça distante para se tornar uma realidade para muitos ganeses. Desde resíduos de roupa reciclada a estrangular as nossas linhas costeiras até à crescente imprevisibilidade das épocas de chuva, o ambiente deixou de ser uma questão periférica; é a base da nossa sobrevivência.

O ambiente do Gana está sob ataque em várias frentes: mineração ilegal que polui os cursos de água, desflorestação e uma crise alarmante de resíduos plásticos e têxteis.

No coração de Acra, o comércio global de roupa em segunda mão converge no Mercado de Kantamanto (Kanta), talvez o mais significativo ecossistema de revenda e upcycling do mundo, situado na extremidade de uma economia linear de “fast fashion” que produz muito mais do que o mundo consegue consumir. Kanta é o lar de mais de 30.000 pessoas que processam e comercializam mais de 25 milhões de peças de vestuário por mês. Embora isto crie uma economia de revenda extraordinária, o impacto “linear” é devastador: 40% destas roupas acabam como lixo, entupindo valas, poluindo cursos de água e formando “tentáculos têxteis” ao longo das belas praias de Acra.

Ativistas locais começaram a reagir. Desde 2016, o projeto The Revival, de Yayra Agbofah, tem capacitado artesãos e estudantes a dar nova vida aos resíduos têxteis, provando que o “lixo” pode ser alta-costura. Entretanto, o projeto BALEBOARDS, de Emmanuel Aggrey-Tieku, transforma montanhas de tecido descartado em enormes instalações públicas. Em conjunto, estes ativistas estão a forçar uma reflexão global: o que estamos a vestir, para onde vai realmente e quem paga o preço da nossa fast fashion?

O lixo eletrónico no Gana — especialmente em centros como Agbogbloshie — tem um impacto devastador no ambiente. Cerca de 99% destes resíduos é gerido por um setor informal composto por coletores não licenciados, intermediários e sucateiros. Como estes trabalhadores dependem do desmantelamento manual e da queima ao ar livre para recuperar materiais, o processo resulta numa grave contaminação por metais pesados no solo e na água. Além disso, representa riscos significativos para a saúde da comunidade, incluindo doenças respiratórias e danos neurológicos.

Construir uma cidade sustentável exige uma mudança fundamental rumo a uma economia circular. A The Or Foundation está a colmatar lacunas sistémicas críticas ao desenvolver infraestruturas para resíduos da indústria da moda e ao liderar investigação sobre degradação microbiana de misturas têxteis sintético-naturais e polímeros plásticos. Além disso, o seu recurso a tecnologias de biorremediação visa recuperar um dos corpos de água mais poluídos do mundo: a Lagoa Korle.

A sua abordagem holística enfrenta as raízes sistémicas da crise dos resíduos através de:

  • Restauração Ambiental: Remoção de mais de 18 toneladas de resíduos têxteis e plásticos das praias de Acra todas as semanas e monitorização dos “tentáculos têxteis” ao longo de uma faixa de sete quilómetros da nossa linha costeira.
  • Desvio de Resíduos: Recolha de resíduos têxteis em todo o mercado de Kantamanto, garantindo que estes chegam a aterros autorizados, longe dos nossos frágeis corpos de água.
  • Equidade Social e Empoderamento: Transição da comunidade do mercado de um estado de “modo de crise” para um planeamento a longo prazo. Isto inclui um programa de aprendizagem remunerada que oferece às jovens mulheres alternativas profissionais ao perigoso trabalho de transportar fardos de roupa de 55 kg.
  • Inovação Local: Construção de infraestruturas de investigação e desenvolvimento para separar e processar resíduos têxteis em escala industrial, utilizando maquinaria concebida e fabricada localmente a partir de sucata metálica.
  • Empreendedorismo: Operação de uma Incubadora de Negócios que fornece financiamento inicial catalisador a visionários locais.

Onde o Rotary pode ajudar

O Rotary continua a ser um parceiro relevante nas questões ambientais, colaborando em ações que reforçam a conservação dos recursos naturais e promovem a sustentabilidade ecológica. A rede global de voluntários do Rotary atua nas comunidades para adotar soluções locais, criar projetos de serviço inovadores e aceder aos recursos necessários para promover a harmonia entre a humanidade e a natureza.

A iniciativa Community Action for Fresh Water, uma colaboração entre o Rotary International e o Programa das Nações Unidas para o Ambiente, oferece um quadro de atuação para envolver e capacitar comunidades.

À medida que as nossas cidades crescem e os nossos ecossistemas enfrentam uma pressão sem precedentes, o ambiente exige um compromisso coletivo, duradouro e contínuo. Devemos procurar colaborações estratégicas que ampliem os nossos esforços para restaurar ecossistemas de água doce, costeiros e florestais, enfrentar resíduos acumulados ao longo de décadas e redobrar os esforços para limpar, plantar árvores, financiar iniciativas ambientais locais e utilizar as nossas redes profissionais para defender regulamentações mais fortes.

O Mês do Ambiente do Rotary serve como lembrete: o que acontece nas praias de Acra ou nas águas da Lagoa Korle ressoa muito para além das nossas fronteiras. Não estamos apenas a proteger a natureza; estamos a salvaguardar a nossa saúde, a nossa economia e o planeta.

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