Olayinka H. Babalola
Presidente 2026-27
Outubro de 2026
99,9 por cento não são 100 por cento
Aminu Ahmed Tudun-Wada sabe o que a pólio tira a uma criança. Contraiu a doença quando era ainda um menino, em Kano, na Nigéria, e ficou paralisado.
Décadas mais tarde, quando a Nigéria lutava para erradicar a pólio, Aminu decidiu usar a sua experiência para ajudar a proteger outras crianças.
Reuniu sobreviventes da pólio e começou a ir de porta em porta, falando com os pais sobre a vacinação. Os sobreviventes contavam as suas histórias. Mostravam às famílias os efeitos da pólio. E apelavam aos pais para que garantissem que os seus filhos nunca teriam de passar pela mesma experiência.
Em 2021, o Grupo de Sobreviventes da Pólio, fundado por Aminu, já contava com mais de 400 membros. O seu trabalho ajudou a Nigéria a alcançar um marco que, em tempos, parecia impossível: em 2020, a Organização Mundial da Saúde certificou a Nigéria e toda a Região Africana como livres do poliovírus selvagem.
Penso em pessoas como Aminu sempre que falamos em acabar com a pólio. A erradicação significa que haverá crianças que nunca saberão o que é perder a capacidade de andar. Significa que haverá pais que nunca terão de ver um filho saudável ficar paralisado por uma doença que as vacinas podem prevenir.
E significa garantir que a geração que ainda se lembra da pólio seja a última a ter essa memória. O Rotary participa nesta luta há mais de quatro décadas. Em conjunto com os nossos parceiros, ajudámos a vacinar mais de 3 mil milhões de crianças, contribuímos com mais de 3 mil milhões de dólares para o esforço global e reduzimos em 99,9 por cento os casos de pólio provocados pelo poliovírus selvagem.
Mas 99,9 por cento não são 100 por cento.
O poliovírus selvagem continua a ser endémico no Afeganistão e no Paquistão. Enquanto circular em qualquer lugar, as crianças de todo o mundo continuarão em risco. E, mesmo depois de o poliovírus selvagem desaparecer de um país, temos de manter sistemas sólidos de imunização e vigilância, para que o vírus não encontre uma forma de regressar.
Aminu poderia ter olhado para a sua própria experiência e perguntado: «Porquê eu?» Em vez disso, fez outra pergunta: «Como posso garantir que isto não acontece a outra criança?» É desse espírito que precisamos agora.
A última etapa de qualquer percurso pode ser a mais difícil. Mas já percorremos tanto caminho, trabalhámos tanto e protegemos tantas crianças que não podemos parar aqui.
Recordemos por que razão começámos. Ouçamos quem viveu a pólio. Sejamos a geração que cria um impacto duradouro e garantamos que ninguém voltará a sofrer de pólio.
OLAYINKA H. BABALOLA
Presidente do Rotary International
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