Educação Básica e Alfabetização: construir um mundo melhor
Quando ensinamos alguém a ler, damos-lhe uma ferramenta para toda a vida. E esse conhecimento transforma, uma a uma, famílias e comunidades inteiras.”
Em setembro, o Rotary dedica especial atenção à Educação Básica e Alfabetizaçãoo, uma das suas áreas de enfoque e uma condição indispensável para a construção de sociedades mais livres, mais justas e mais pacíficas.
Num tempo marcado por guerras, deslocações forçadas, desigualdades crescentes, alterações climáticas e uma rápida transformação tecnológica, a educação é muito mais do que um caminho para o desenvolvimento: é uma forma de proteção, de liberdade e de esperança.
Apesar dos progressos alcançados, pelo menos 739 milhões de jovens e adultos continuam sem competências básicas de leitura e escrita, sendo as mulheres cerca de dois terços desse número. Simultaneamente, milhões de crianças veem a sua aprendizagem interrompida por conflitos, pobreza, catástrofes e deslocações. Para essas crianças, a escola não é apenas um lugar onde se aprende. É também um espaço de segurança, estabilidade e possibilidade de futuro.
Saber ler e escrever significa poder compreender uma receita médica, assinar o próprio nome, conhecer os seus direitos, procurar emprego e participar plenamente na vida da comunidade. Significa adquirir voz e autonomia.
Mas, no mundo de hoje, a alfabetização já não se limita à capacidade de reconhecer palavras. É também saber interpretar aquilo que se lê, distinguir factos de manipulações, utilizar responsavelmente as novas tecnologias e não ficar para trás numa sociedade cada vez mais digital. Perante a desinformação, os discursos de ódio e a utilização pouco responsável da inteligência artificial, educar para o pensamento crítico tornou-se igualmente uma forma de defender a paz e a democracia.
Mesmo em Portugal, onde o analfabetismo tradicional diminuiu significativamente, permanecem desafios importantes. Existem dificuldades de compreensão, abandono escolar, desigualdades no acesso às oportunidades e novas formas de exclusão digital. Apoiar a educação significa, por isso, acompanhar as crianças e os jovens, valorizar os professores, envolver as famílias e garantir que ninguém é deixado para trás.
O presidente do Rotary International para 2026/27, Olayinka H. Babalola, conhece pessoalmente o poder transformador da alfabetização. Um projeto de alfabetização de adultos desenvolvido pelo seu clube mudou profundamente a sua perspetiva quando uma mãe lhe contou que, depois de aprender a ler, já conseguia compreender os rótulos dos medicamentos dos filhos.
Este testemunho recorda-nos que um projeto educativo não se esgota na sala de aula. O que uma pessoa aprende pode proteger uma família, fortalecer uma comunidade e transformar gerações.
A mensagem presidencial deste ano rotário. Criar um Impacto Duradouro desafia-nos precisamente a ir além das respostas pontuais. Não basta oferecer livros se não existirem condições para os ler. Não basta construir uma escola se faltarem professores preparados. Não basta proporcionar uma formação se não avaliarmos os seus resultados. O verdadeiro impacto acontece quando ouvimos as comunidades, trabalhamos em parceria e criamos soluções capazes de permanecer depois de terminada a nossa intervenção.
É esse o compromisso dos rotários em todo o mundo. Construímos e equipamos escolas, apoiamos bibliotecas, promovemos bolsas de estudo, formamos educadores, disponibilizamos materiais pedagógicos e criamos oportunidades para crianças, jovens e adultos. No nosso Distrito, continuamos também a apoiar projetos educativos em Portugal e noutros países, convictos de que aprender é um direito e nunca um privilégio.
Educar é combater a pobreza, a submissão e a intolerância. É permitir que cada pessoa conheça os seus direitos e encontre o seu próprio caminho. É criar condições para o diálogo onde antes existia apenas conflito e abrir uma janela de esperança onde parecia não haver futuro.
Neste mês de setembro, convido todos os clubes a refletirem sobre o impacto que podemos criar através da educação. Que identifiquemos as necessidades reais das nossas comunidades, que reforcemos as parcerias com escolas, professores e instituições e que transformemos boas intenções em projetos consistentes, mensuráveis e duradouros.
Porque cada palavra aprendida pode abrir uma porta. Cada livro pode despertar uma vocação. Cada professor apoiado pode transformar centenas de vidas. E cada pessoa que aprende a ler, a compreender e a pensar livremente representa mais um passo na construção de um mundo melhor.
Façamos da educação a base da mudança e da alfabetização um instrumento de dignidade, liberdade e paz.
Juntos, criemos um impacto duradouro.
Luís Bastos, Governador do Distrito 1970
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