Por Leonardo Gonzalo Mangoldt, governador do Distrito 4851 (Argentina), 2025-26
No início do meu mandato como governador, percebi que o principal desafio no meu distrito não era simplesmente aumentar o número de associados. O verdadeiro desafio era recuperar a relevância do Rotary nas nossas comunidades.
O nosso distrito abrange dez províncias da Argentina e inclui realidades sociais muito diferentes: grandes cidades, pequenas localidades, zonas rurais e regiões montanhosas remotas. Em muitos lugares, o Rotary estava presente há décadas, mas com o tempo alguns clubes tornaram-se fechados, envelhecidos e resistentes à mudança. Noutras comunidades, o Rotary tinha desaparecido por completo.
Observei algo que provavelmente acontece em muitas partes do mundo. Os clubes tentavam resolver o problema de associados procurando pessoas para ocupar cadeiras nas reuniões. Mas as comunidades não procuram reuniões — procuram formas significativas de servir e de pertencer.
Essa reflexão mudou a pergunta para a nossa equipa de liderança. “Como recrutamos mais membros?” tornou-se “Como criamos mais oportunidades de serviço e de pertença?”
Isto levou-nos a adotar uma abordagem diferente. Começámos a visitar cidades sem clubes Rotary e a organizar encontros informativos abertos com jovens profissionais, professores, empreendedores e líderes comunitários. Em muitos casos, descobrimos que o problema não era falta de interesse no Rotary, mas falta de conhecimento. Quando as pessoas compreendiam o propósito e o impacto do Rotary, a resposta era imediata.
Ao mesmo tempo, encontrámos pequenos clubes com três ou quatro membros a funcionar como clubes satélite, prestes a colapsar. Durante anos, a tendência tinha sido manter estes pequenos grupos vivos a todo o custo. Mas, em vez de os ver como um fracasso, passámos a vê-los como uma oportunidade. Procurámos dar a cada um uma nova identidade que criasse oportunidades de serviço capazes de atrair novas pessoas. Mudar a narrativa foi essencial — a comunidade via o nascimento de algo novo, e não a perda de um clube.
Também aprendemos que, por vezes, o Rotary já existe fora do Rotary. Depois de reunir com profissionais da saúde e da educação, percebemos que já tinham uma rede e um desejo de servir. Só precisavam de ser reunidos como um clube Rotary. Isso levou à criação do nosso primeiro e-club temático.
Para clubes muito pequenos, trabalhámos no estabelecimento de metas concretas de crescimento e no fornecimento de apoio próximo do distrito. Quando um clube tem projetos visíveis e a sua direção se sente apoiada, a motivação regressa. O crescimento não acontece através da presença semanal nas reuniões; acontece através de impacto significativo.
Até o conflito, por vezes, cria oportunidades. Num caso, um longo confronto de opiniões levou-nos a criar um novo clube, permitindo que novas lideranças emergissem e expandindo a nossa presença na comunidade, em vez de forçar uma solução para o “problema”.
Até agora, formámos oito novos clubes Rotary e três clubes Interact. O Rotary regressou a comunidades onde já não existia.
Mas a lição mais importante não foram os números. Foi esta: as comunidades têm um profundo desejo de servir. As pessoas querem ajudar, participar e pertencer a algo com significado. Quando o Rotary oferece um espaço aberto e seguro para isso, o crescimento acontece naturalmente.
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