“O verdadeiro sucesso é colectivo”, diz a vencedora do Prémio de Liderança Sylvia Whitlock 2026

“O verdadeiro sucesso é colectivo”, diz a vencedora do Prémio de Liderança Sylvia Whitlock 2026

Rotária egípcia elevou lideranças femininas, promoveu microcrédito e ajudou a construir uma escola para 800 alunos

Por Etelka Lehoczky

Mayan Raslan, vencedora do Prémio de Liderança Sylvia Whitlock de 2026, acredita que o sucesso não é verdadeiro se for alcançado sozinho.

“Quando tiver sucesso, permita que outras pessoas prosperem consigo”, afirma. “Se o faz sozinho, isso não é sucesso.”

Esse espírito tem guiado Raslan na sua carreira como gestora de projectos e no seu trabalho como angariadora de fundos para o Rotary e outras organizações. Membro do Rotary Club de Cairo Royal, no Egito, está profundamente empenhada em promover outras mulheres para cargos de liderança.

É, em parte, por isso que foi escolhida para receber o prémio que homenageia Sylvia Whitlock, a primeira mulher a presidir a um Rotary Club e uma figura que impulsionou mudanças em prol das mulheres em várias partes do mundo através da organização. O prémio distingue pessoas que, tal como Whitlock, trabalharam para o avanço das mulheres no Rotary.

Mayan Raslan, do Rotary Club de Cairo Royal, no Egito, recebeu o Prémio de Liderança Sylvia Whitlock de 2026.

Raslan “tem um talento especial para reconhecer o potencial das outras pessoas e, de forma gentil mas poderosa, incentivá‑las a assumir papéis de maior responsabilidade”, afirma Mohamed Delawar Aly, membro do Rotary Club de Sheikh Zayed ECO, no Egito, e ex‑governador de distrito. “O seu exemplo motivou muitas pessoas a assumir funções de liderança que talvez, inicialmente, não imaginassem para si próprias.”

Raslan aprendeu desde cedo o valor do serviço.

“A minha mãe teve um papel de grande destaque no trabalho social no Egito, na Síria e no Iraque”, conta. “Quando ajudou a fundar um Lions Club no Egito, eu tinha cerca de 20 anos, mas trabalhei com ela. E adorei.”

Raslan, que concluiu um doutoramento em Gestão e Administração na Universidade do Cairo, colocou os seus talentos ao serviço de várias ONG, organismos governamentais e instituições financeiras. Além de ter desempenhado inúmeras funções de liderança no Rotary desde que se tornou associada, em 1999, é presidente da União Feminista Egípcia e da Aliança para Mulheres Árabes, bem como curadora da Fundação para o Desenvolvimento Comunitário do Banque Misr.

Como governadora do Distrito 2451, em 2016‑17, Raslan trabalhou para promover a participação das mulheres. Anunciou um prémio especial para os clubes que registassem um aumento de 25% no número de associadas. Actualmente, as mulheres representam 54% do distrito. Mas o seu maior impacto surgiu através de uma comissão distrital dedicada ao empoderamento feminino.

“O número de mulheres em cargos de liderança no distrito era muito baixo”, explica Raslan. “Por isso, nomeei mulheres como presidentes e copresidentes de projectos e comissões. Também incluímos homens, mas em funções de apoio.”

As iniciativas de Raslan suscitaram algumas reacções por parte de associados.

“Disseram: ‘E nós? Queremos uma comissão de homens.’ Mas, claro, foi tudo em tom de brincadeira”, conta. “Eles perceberam perfeitamente o que eu estava a fazer.”

A comissão concedeu microcréditos a mulheres chefes de família, patrocinou formação profissional e de liderança, e ensinou as participantes a elaborar currículos e a preparar‑se para o mercado de trabalho. Inicialmente criada como uma força‑tarefa de um ano, a comissão tornou‑se agora uma estrutura permanente no distrito.

Raslan acredita que o serviço social deve gerar impacto a longo prazo. Quer esteja a ajudar a desenvolver um projecto do Rotary ou a prestar consultoria a outra organização, insiste que cada iniciativa promova mudanças estruturais significativas.

“Tenho algumas condições”, explica. “Digo, por exemplo: ‘Se querem que renovemos uma unidade de cuidados intensivos, preciso que todas as mulheres que trabalham no hospital recebam formação e apoio através de empréstimos.’ Coloco sempre este ponto como essencial em qualquer projecto em que me pedem para colaborar.”

Raslan demonstrou o seu compromisso com conquistas partilhadas quando liderou um projecto plurianual para construir uma escola na província de Fayoum, perto do Cairo. Já tinha trabalhado com clubes do seu distrito noutros projectos em Fayoum, mas quando o governador da região perguntou, em 2016, se o Rotary poderia construir uma escola, ela sentiu-se intimidada.

“Ele estava a falar comigo, mas eu senti-me perdida. Por onde começaria?”, recorda. “Mas um dos meus velhos amigos do Rotary, um engenheiro, disse: ‘Porque estás preocupada? Vamos falar com alguém que já tenha construído uma escola.’ E esse foi o primeiro passo.”

A escola foi inaugurada em 2020 com duas turmas de jardim‑de‑infância. Actualmente, acolhe mais de 800 alunos e foi distinguida no Concurso de Escolas Egípcias de 2025, promovido pelo governo. Para Raslan, esta é a prova definitiva de que todas as conquistas verdadeiramente significativas são partilhadas.

“À medida que fores crescendo como líder, dá oportunidades a outras pessoas. Líderes criam líderes”, afirma. “O sucesso é colectivo. Nunca é apenas individual.”

Saiba mais sobre o Prémio de Liderança Sylvia Whitlock.

— Março de 2026

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