A Paz Como Ação: O Compromisso do Rotary
Vivemos num tempo em que o mundo parece avançar mais depressa do que a nossa capacidade de o compreender. As notícias diárias mostram-nos tensões crescentes, discursos extremados e conflitos que reacendem receios que julgávamos pertencer ao passado. A sensação de instabilidade global é hoje uma realidade palpável, quase uma sombra permanente. Por isso, pensar na paz e agir pela paz, não é um idealismo, é uma urgência e uma responsabilidade.
É precisamente neste cenário que o papel do Rotary se revela relevante e indispensável. O Rotary sempre acreditou que a paz é possível — não como um sonho longínquo, mas como um objetivo concreto, construído por mãos humanas, ação a ação.
A paz, na sua forma mais verdadeira, vai muito além da ausência de guerra. É a presença da justiça, a igualdade de oportunidades, o respeito pela dignidade humana e a esperança que dá sentido aos nossos dias. É um equilíbrio delicado que se sustenta quando aprendemos a ouvir o outro, a compreender antes de julgar, a dialogar onde antes existia conflito. Para todos nós, Rotários, esta visão não é teoria: é um dos pilares da nossa missão e, neste mês, o nosso foco maior.
O Rotary acredita — porque já o comprovou inúmeras vezes — que a paz nasce nas comunidades e nas pequenas escolhas que moldam mentalidades. E isso implica também olhar para a educação e para a infância, onde tantas vezes se plantam, sem intenção, os estereótipos que mais tarde alimentam discriminações e divisões. Neutralizar preconceitos desde cedo, ensinar o valor da empatia, promover a igualdade e combater estereótipos de género, culturais ou sociais é, também, uma poderosa ação de paz. Uma criança que aprende a ver o outro como igual cresce com menos medo e mais compreensão. Acredito que esta transformação silenciosa é das mais eficazes para prevenir conflitos futuros.
É por isso que investimos nas pessoas. A iniciativa mais emblemática desta visão são os Centros Rotary pela Paz. Em colaboração com universidades de excelência em vários continentes, estes centros formam líderes que estudam, praticam e constroem a paz. Através das Bolsas Rotary pela Paz, damos oportunidade a profissionais experientes de se especializarem em mediação, segurança humana e resolução de conflitos. São homens e mulheres que regressam às suas comunidades com novas ferramentas, novas perspetivas e um compromisso renovado de agir onde a paz é mais frágil.
O nosso legado neste campo não é recente. O Rotary desempenhou um papel crucial na criação das Nações Unidas, em 1945, participando ativamente na redação da Carta que até hoje orienta a diplomacia internacional. Mantemos, desde então, o mais elevado estatuto consultivo atribuído a uma ONG pelo Conselho Económico e Social da ONU, levando a experiência das comunidades para o coração das decisões globais.
Mas, apesar deste prestígio internacional, a força do Rotary vive sobretudo da ação local: um projeto de alfabetização que abre horizontes; um poço de água que reduz tensões entre comunidades; um intercâmbio de jovens que substitui estereótipos por amizades duradouras. São gestos simples, mas transformadores e que contribuem para a paz
Neste mês, enquanto refletimos sobre a paz, não esqueçamos que cada um de nós pode ser parte da solução, pois a paz constrói-se no diálogo, no respeito, na educação, na coragem de contrariar preconceitos e na determinação de servir. Acreditamos nela. Trabalhamos por ela. Todos os dias.
E, juntos, Unidos Para Fazer o Bem, podemos ajudar o mundo a afastar-se da ameaça de novos conflitos e a avançar para um futuro mais humano, mais justo e verdadeiramente pacífico.
Com amizade,
Deolinda Nunes, , Governadora do Distrito 1970
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