Por Carol Frey
A Cleo, uma preguiça-de-dois-dedos adorável o suficiente para “partir a internet”, deixou Megan Marrero completamente fascinada. Ela e um pequeno grupo de colegas Rotaractistas estavam a visitar um aquário na zona turística de Myrtle Beach, na Carolina do Sul, e ficaram maravilhados com a criatura lenta, pendurada de cabeça para baixo nas árvores. Cleo captou especialmente a imaginação de Marrero.
Os oito Rotaractistas, cujo clube está sediado na cidade vizinha de Little River, são todos estudantes de um programa sem fins lucrativos que oferece aulas de competências para a vida a pessoas com perturbações cognitivas e deficiências intelectuais. Durante a visita ao aquário, em março, estavam a estudar e a recolher informações sobre a vida marinha e outros animais para apresentações que iriam partilhar com outros estudantes do programa Current Transitions.
A ideia de criar o clube surgiu dos Rotários do clube satélite Little River–Sunset Edition, que realizam as suas reuniões no edifício do Current Transitions. A membro Mary Hager, terapeuta ocupacional reformada e uma das diretoras do programa, sugeriu que alguns dos estudantes formassem um clube Rotaract, que foi oficialmente constituído pouco tempo depois, em 2023. Os Rotários assumiram o papel de mentores, orientando os Rotaractistas do Little River Current Transitions a encontrar formas de ajudar os outros — e divertir-se enquanto o fazem.
Crédito da imagem: Madeline Gray
A visita de estudo ao aquário, financiada por uma bolsa do distrito, é um exemplo claro. Algumas semanas após a visita, os Rotaractistas estão a preparar uma apresentação para partilhar o que aprenderam com os outros estudantes do programa Current Transitions, como uma oportunidade de mentoria e desenvolvimento de liderança. Marrero está a falar-lhes sobre a espécie de preguiça-de-dois-dedos de Linnaeus, que tem pelo áspero, membros longos e garras curvas, e é nativa das florestas tropicais da América Central e do Sul.
“Gosto que se movam devagar,” diz Marrero ao grupo. “São boas nadadoras.” (E não são nem de perto tão assustadoras como outros habitantes do aquário, como os tubarões, as raias ou os enormes peixes-serra.) Vários estudantes na sala aplaudem: “Bom trabalho, Megan!” e “Muito bem, Megan!”
Noutra apresentação, Marrero é chamada para ajudar num projeto científico chamado “água caminhante”, que demonstra o fenómeno da acção capilar, utilizando tiras de tecido absorvente para mover água colorida entre copos.
Hager conta que se inspirou para integrar os estudantes no Rotaract graças ao ex-governador distrital Craig Hill, que ajudou a formar o clube satélite de Little River e um clube Interact para estudantes do ensino secundário. “Estava a ouvir o Craig falar sobre o que fazem os Rotaractistas, e pensei que seria realmente excelente para os nossos estudantes,” diz Hager. “Encaixam perfeitamente no programa.”
Depois, ela começou a falar com os pais dos estudantes envolvidos nas atividades gratuitas oferecidas pelo programa Current Transitions. Com a autorização dos pais, Hill apresentou a ideia de Hager ao Distrito Rotário 7770.
Hill colaborou com o então governador distrital Bob Gross e com Alicia Pijal-Avila, membro da equipa de apoio a clubes e distritos na sede do Rotary International, para concluir o processo de constituição oficial do clube. O clube Rotário patrocinador cobre as quotas dos Rotaractistas.
Este não é o único clube que tem feito esforços para incluir membros com deficiências intelectuais e do desenvolvimento. Um novo clube Rotaract em Fairmont, Virgínia Ocidental, por exemplo, inclui pessoas com autismo e síndrome de Down, segundo Pijal-Avila. Muitos dos membros desse clube são utentes de um centro de apoio à deficiência e recebem orientação de Rotários.
As reuniões do clube Little River Current Transitions seriam familiares à maioria dos membros do Rotary, especialmente aos do sul dos Estados Unidos, que apreciam a conversa descontraída e bem-humorada típica das zonas rurais. É comum alguém ser nomeado para contar a “piada do dia”. Experimenta esta: Que tipo de música é que os balões odeiam? Pop! Seguem-se gemidos e gargalhadas.
Depois, há o relatório sobre projetos e angariação de fundos. Os membros do clube têm estado a recolher latas de alumínio para reciclagem e organizaram uma “Venda Gigante” de artigos eletrónicos, joias, ferramentas, utensílios de cozinha e muito mais, no parque de estacionamento do Current Transitions, durante dois dias em maio. As famílias dos estudantes costumam assistir a apresentações sobre temas práticos, como usar o Google Maps para planear uma viagem. E os Rotários são um público fiel para este grupo. “Eles duplicam o tamanho da audiência,” diz Hager.
Então, o que é que Megan Marrero mais gosta em ser Rotaractista (além de conviver com preguiças)? “Gosto de ajudar a minha comunidade,” diz ela.
Um novo membro, Kevin Dunbar, concorda e diz que gosta especialmente de ajudar no Museu Histórico da Área de North Myrtle Beach. O que mais gostou no aquário foi “limpá-lo e deixá-lo bonito.”
Os Rotaractistas também fazem voluntariado regularmente num centro de cuidados assistidos em Little River, onde se juntam aos residentes para cantar, fazer trabalhos manuais e trocar postais festivos.
Com os assuntos da reunião tratados, os membros preparam-se para encerrar o encontro da mesma forma que muitos clubes fazem em todo o mundo: recitando o Teste das Quatro Perguntas.
Mas antes, Hager sorteia o nome de um membro que escolhe a “música do dia”. O nome sorteado é o de Dunbar, que escolhe “It’s My Life” de Bon Jovi. Segue-se uma dança animada.
| Voluntariado inclusivo As pessoas com deficiências intelectuais, tal como todas as outras, podem beneficiar de oportunidades de voluntariado significativas. A organização The Arc, dedicada aos direitos das pessoas com deficiência, partilha estas sugestões para tornar o voluntariado mais inclusivo: – Presuma que o voluntário é capaz de realizar o trabalho com competência. As pessoas com deficiência participam em muitos tipos de voluntariado. Podem precisar de apoio, por isso seja o mais claro possível quanto ao tipo de tarefas e às suas expectativas. – Utilize sempre linguagem respeitosa e inclusiva na formação dos voluntários. Dedique algum tempo a aprender sobre etiqueta relacionada com a deficiência. – Planeie o sucesso com os voluntários e os seus apoiantes. Reveja as tarefas específicas, como será feita a formação e quem, no seu programa, poderá atuar como mentor. – Pergunte aos voluntários o que funciona melhor para ultrapassar desafios. Muitas vezes, já terão ideias próprias. Se não tiverem, procure soluções em conjunto com os voluntários e os seus apoiantes. – Considere o voluntário para um emprego. Os voluntários com deficiência podem ser colaboradores entusiastas e excelentes profissionais. |
Esta reportagem foi originalmente publicada na edição de setembro de 2025 da revista Rotary.
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